Pouco se sabe sobre as origens do crochê. Há
algumas teorias de que os primeiros trabalhos eram feitos com os
dedos, em vez de usando agulhas. As três teorias principais dizem
que a técnica teria se originado na Arábia e se
espalhado para o Tibete e mais tarde para a Espanha, na
América do Sul, onde uma tribo primitiva teria
usado adornos de crochê em rituais de passagem para a vida adulta,
ou na China, onde foram encontradas bonecas feitas
de crochê.
As primeiras evidências do uso extensivo da
técnica surgiram na Europa, durante o século 19. A primeira
referência escrita apareceu no livro “The Memoirs of a
Highland Lady” de Elizabeth Grant (1812), e as primeiras
receitas de pontos foram publicadas em uma revista holandesa em
1824.
A partir dessa época o crochê foi usado como uma forma mais
barata de fabricação de renda. Durante a Grande Fome na Irlanda, as
freiras ursulinas ensinavam mulheres e crianças a tecer rendas de
crochê, que eram vendidas em toda a Europa para ajudar a população
faminta.
Contudo, o estigma de imitação de um símbolo de
status em vez de uma técnica artesanal com valor próprio prejudicou
a técnica. Quem podia comprar renda feita com as técnicas mais
antigas e caras desdenhava o crochê como sendo uma cópia
barata.
A Rainha Vitória ajudou a desfazer essa
impressão, comprando renda feita de crochê e aprendendo a técnica
ela mesma. Durante a era Eduardiana (as duas primeiras décadas do
século 20) as rendas de crochê eram mais elaboradas em textura e
dificuldade, com rendas de cores pálidas e bolsas elaboradas, com
muitos bordados de pedrarias.
Somente após a II Guerra Mundial o interesse
pelo crochê retornou, como parte do movimento baby boom,
que estimulava os valores domésticos e as técnicas artesanais
feitas em casa. Mesmo assim, a técnica era vista como “coisa
de dona de casa”.
Com o movimento hippie da década de 60, a nova
geração popularizou os crochês coloridos e os granny
squares, as mantas feitas com quadrados de crochê. A
popularidade declinou um pouco nas décadas recentes, apesar de
haver uma legião de seguidores (principalmente seguidoras)
fiéis.
Felizmente, nos últimos anos, o crochê e outras
artes manuais têm encontrado seu lugar ao sol. Hoje é comum, além
das crocheteiras de costume, vermos adolescentes e homens fazendo
lindos trabalhos em crochê. Existem inúmeros blogs dedicados ao
crochê e tricô, e os trabalhos manuais estão começando a receber o
devido valor como técnica artesanal e de arte.
Os trabalhos atuais são mais criativos e
modernos, com destaque para o freestyle crochet, que é uma
“técnica” de crochê livre, unindo diversas linhas,
cores e pontos básicos em uma mesma peça sem receita ou modelo.
Esta forma de crochê pode ser usada para criar obras de arte e
decoração ou bolsas, coletes e outros acessórios. Criatividade a
mil!
Outra novidade que tem sido bem procurada são os
amigurumi (em japonês, “boneco tricotado
recheado”), ou bonequinhos feitos com ponto baixo em espiral,
formando bichinhos e personagens. A técnica japonesa dos amigurumi
foi além e hoje os artesãos criam objetos e comidinhas feitos de
crochê. Já imaginou um sushi de crochê? Alguém já fez!
(Artigo publicado no Alma Carioca em
02/12/2009)
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